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Estou sobrecarregado. E agora, o que eu faço?

Reclamar não adianta. Confira algumas dicas pra lidar melhor com mudanças no ambiente profissional, preparar-se para realizar novas funções e aprender a dividir responsabilidades.

O país vive uma situação difícil com índices altos de desemprego. Dentro da maioria das empresas, redução de projetos e corte de custos e áreas é uma constante. Quem está empregado vive uma situação que perpassa desde o medo de perder o emprego até a sobrecarga de trabalho. O diagnóstico é de uma pesquisa divulgada pelo Vagas.com que aponta que 56% dos entrevistados estão realizando tarefa de outra pessoa na empresa. O que fazer nesse momento? A Época NEGÓCIOS conversou com Denise Bojikian, especialista de RH da Vagas.com, durante o Facebook Live realizado na quinta-feira (07/07), para comentar este cenário. Abaixo, confira os principais trechos da conversa. O vídeo, na íntegra, você pode conferir na página da Época NEGÓCIOS.

Muitas pessoas dentro da empresa foram demitidas nos últimos meses. Como avaliar se você está sobrecarregado?

“O importante seria que as pessoas analisassem a empresa em que estão o que ocorre no contexto delas. Temos um segmento que está sofrendo mais e outros bem menos, inclusive alguns que estão indo muito bem. Digo isto porque às vezes existe uma contaminação por causa de tudo que as pessoas leem, escutam ou sofrem com pessoas conhecidas que estão desempregadas. Faça a avaliação do que está ocorrendo na sua empresa e se de fato ela vive uma situação difícil mesmo. Crie conversas com lideranças para entender qual é o contexto, se isso não for feito espontaneamente pela empresa. Comece antes de tudo avaliando a saúde da companhia. Até para se conscientizar, saber o que pode fazer proativamente neste contexto.”

Após esse diagnóstico, como lidar com a pressão no ambiente e com acúmulo de funções?

“Existem algumas funções que são únicas dentro de uma empresa. Nas menores, às vezes quando sai um isso significa uma equipe 50% menor naquela determinada área. É preciso então pensar em como redividir este trabalho. Se falamos em corte de pessoas, precisa fazer uma priorização, com todo mundo junto olhando para o que a empresa precisa entregar e qual direção deve ir. Dependendo da empresa e do corte, precisa haver um acordo prévio sobre. Talvez não seja possível fazer tudo, mas dá para definir metas para criar a estabilidade. Na prática, o que deixa as pessoas aflitas é que muitas vezes acontecem os cortes e esse tipo de diálogo não acontece. Como eu me viro sozinho numa situação como essa? Como eu aprendo uma nova função? Quem vai me ensinar? Até onde vão considerar que meu trabalho está bom ou não nesta nova situação? Ou seja, tudo isso só é possível ser respondido com o diálogo para, aí sim, refazer o planejamento.”

Como buscar esse diálogo se o ambiente está tenso, o seu chefe não dá abertura e a empresa passar por um momento de redefinição de processos internos?

“A gente tem todos perfis de empresas imagináveis – aquelas mais abertas ao diálogo, as mais fechadas. Pensando no cenário, se isso não é algo comum de ser feito, talvez seja preciso olhar primeiro para si e pensar: “como eu posso contribuir com o momento difícil da empresa”, “o que eu sei fazer, que talvez a empresa nem saiba, mas que poderia ajudar?”. E, proativamente, oferecer mesmo. Se eu consigo mapear a área que estou, até onde eu enxergo na empresa, posso dar sugestões, contribuir, questionar formas de trabalho. Com esta atitude, você acaba abrindo o diálogo. Isso pode ocorrer em qualquer nível. É claro que nem sempre todo mundo tem conhecimento de tudo que está ocorrendo na empresa, mas se não tem precisa correr atrás e entender melhor a situação.”

Como saber dizer não e recusar tarefas?

“É possível dizer não desde que você esteja respaldado com argumentos para isso. Você precisa ter muita clareza de tudo que precisa ser feito, das prioridades existentes, do que é primordial para que o negócio aconteça e, às vezes, avaliar junto com o chefe. Leve uma sugestão a ele: para exercer tal tarefa A,B,C, isso demanda tempo A,B ou C. É necessário fazer essa contrapartida, mostrar o quanto a dedicação daquela pessoa vai valer para a empresa. Essa decisão pode ser tomada de forma conjunta. E, às vezes, somente de você apresentar alguns argumentos o chefe já percebe que você não terá tempo hábil para determinada tarefa, você nem precisa dizer não. E, talvez, refletindo juntos, vocês percebam se você não fizer tal atividade hoje e ela for diluída ao longo da semana e do mês ela não vai afetar tanto o negócio. É sempre uma questão de colocar na balança.”

Mas, às vezes, a sobrecarga é tamanha que é difícil conseguir pensar racionalmente nesses argumentos e o natural é sair reclamando…

“É muito difícil. Porque por trás daquela situação há toda a ansiedade do próprio funcionário e o medo, tensão: “se eu falar algo, será que o próximo a ser desligado sou eu?”. Passa por isso também. Se as pessoas usarem transparência com boa argumentação, se demonstrarem que estão a par do que precisa ser feito e de como fazer, se forem até a chefia com uma solução e não apenas com uma reclamação, vai fazer diferença. Você vai ser visto de forma diferente. Reclamar neste momento é o pior caminho. A reclamação não te leva a uma solução. E você fica patinando. E patinar é não apresentar resultado.”

Mais da metade dos entrevistados na pesquisa afirma que teme perder o emprego. Como lidar com essa situação?

“Estar trabalhando não é a garantia para ninguém de que aquilo será eterno. Nenhuma empresa está livre de viver dificuldades econômicas e ter que fazer cortes. Não só de pessoas, mas reduções de todos os tipos.

Faça o exercício de quem está desempregado, mas empregado. Pense em quem você procuraria, para quem você mandaria mensagem. Pense nas suas habilidades e competências, onde poderia atuar. Se você precisa estudar algo que deixou para trás porque estava muito ocupado, é esta a hora de retomar. Aproveite para fazer agora porque você tem respaldo financeiro para isso. Revise suas finanças pessoais mesmo estando trabalhando em outra vertente. Pense: “o que podemos economizar para que se eu for demitido possa ter mais respaldo”. A questão é não se acomodar com: estou empregado. O Plano B fica mais fácil de ser feito quando se está empregado. Ative seu networking, porque quando estamos empregados você esquece de ativar sua rede. Continue em contato com colegas que atuam em áreas iguais às suas ou para qual você poderia migrar. Conte o que você faz nos mais diferentes meios que frequenta. Vá a cursos, palestras, workshops. Mostre seu trabalho. Isso precisa sempre estar vivo.”

Fonte: Época Negócios

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