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Carreira

4 passos para se acalmar antes de surtar no trabalho

Você sai do controle quando sua energia está baixa, seu entusiasmo minguando, assim como sua autoconfiança. A seguir, um roteiro para voltar para os eixos em momentos como esse.

“Nós estamos fazendo o trabalho de três pessoas, nosso chefe faz microgerenciamento de tarefas, nós não recebemos feedback sobre nosso desempenho e não há confiança entre as pessoas no escritório. Estamos a ponto de explodir. O que podemos fazer?”

Esse foi o início da conversa entre duas pessoas que acabavam de assistir, da plateia, uma palestra sobre a síndrome de burnout (o estágio do estresse que vira doença) e a palestrante em questão, Paula Davis-Laack, advogada e fundadora do Instituto Davis Laack Stress and Resilience, que oferece cursos e treinamentos sobre o tema. As reclamações da dupla estavam longe de ser uma exclusividade dela. Aquelas pessoas apenas reconheceram que não havia muito que pudessem fazer para mudar a cultura da empresa em que trabalham nem o estilo de gestão do chefe.

Mas admitir essa realidade já é algo a ser feito. É o primeiro passo para voltar para o eixo. Ao ter que lidar com fatores fora de seu controle, os funcionários, de modo geral, são levados a desenvolver as próprias estratégias para mitigar o estresse. Às vezes, não conseguem superá-lo e acabam entrando na síndrome de burnout.

Isso porque os três principais desencadeadores dessa síndrome são: exaustão (pouca energia), cinismo (pouco entusiasmo) e ineficiência (baixa autoconfiança). É preciso focar na melhora de uma ou mais áreas se quiser se levantar de uma crise dessas. A seguir, quatro passos sugeridos pela advogada Paula Davis-Laak, na revista Fast Company, para ajudá-lo a voltar para seu centro.

Faça uma auditoria energética

A fórmula para chegar ao burnout raramente falha. E é bem simples: demanda de trabalho além da conta, pouquíssimo recursos para executá-lo e ausência de tempo para repor a bateria. Na cultura de trabalho contemporânea, estamos todos dispostos a abandonar o período de sono, relaxamento e lazer em detrimento de mais tempo para trabalhar, como se já não fôssemos ocupados demais.

Pior ainda, muitos de nós não têm consciência dessa situação. Pergunte a si mesmo: “eu sei para onde está indo minha energia?”. Se não, é sinal de eu precisa fazer uma autoria energética. Quais atividades e pessoas o ajudam a recuperar sua energia – tanto no trabalho quanto fora dele – e quais pessoas e atividades a sugam e o esgotam? Seja honesto consigo. Então, analise quanto tempo você dedica ás pessoas e ás atividades em cada categoria. As conclusões são autoexplicativas.

Estabeleça limites com um rápido “não” e um consciente “sim”

Como consultora especializada em ajudar as pessoas a recuperar sua energia e autoconfiança, Paula afirma que muitas vezes considera difícil dizer “não” quando alguém lhe pede ajuda. “Minha preocupação instintiva é a de que, se não ajudar, os outros vão lembrar menos de mim nessas horas ou vão declinar do pedido de ajuda da próxima vez – embora, na realidade, isso provavelmente nunca tenha acontecido”, diz ela.

Da mesma forma, “quando nós falamos ‘sim’ rápido demais, desperdiçamos tempo e energia que seriam preciosos para pensarmos de que forma podemos ajudar e se, de fato, deveríamos fazê-lo”. Em uma autoanálise pós-sim, não é raro concluir-se que, na verdade, o correto teria sido dizer “não”. “Então, muitas vezes, a pessoa começa a pensar desesperadamente de que maneira poderia escapar daquele compromisso assumido no impulso”, afirma a consultora. Todo o tempo e energia dedicados ao que o faz sentir culpado ou sem entusiasmo deveria ser dedicado à outra atividade.

Quando alguém solicita sua participação em qualquer assunto, simplesmente peça algum tempo. “Minha primeira questão é sempre: “‘Quando você precisa da resposta?’”, afirma Paula. “Raramente a resposta é: ‘agora, já.’” Antes de responder, a consultora sugere que avalie se a proposta está em acordo com seus objetivos profissionais e pessoais, conectado a seus valores e se é algo ao qual você realmente tem vontade de dedicar atenção.

Há momentos em que você pode precisar ajudar seu chefe a colocar um projeto de pé em pleno sábado à tarde ou ajudar um primo de segundo grau, duas vezes despejado, a se mudar para um novo apartamento. Se você disser “sim” a ambos depois de ter pensado bem e concluído que é, de fato, a melhor resposta, conseguirá guardar mais energia para os momentos em que ela realmente for necessária.

Melhore sua dieta de emoções positivas

Somos bombardeados por negatividade o dia todo, todo dia. Somos impulsionados pelo cotidiano a aprimorar nossas fraquezas. Somos solicitados para ajudar clientes e colegas a solucionarem suas crises – às vezes, sem dispor dos recursos necessários para fazê-lo. Como resultado, tendemos a potencializar as experiências negativas e perder de vista as positivas. Pesquisas na área da psicologia, porém, sugerem que as emoções positivas fazem mais do que nos ajudar a sentir bem. Elas melhoram nossa criatividade, nos tornam mais sociáveis, constroem nossa resiliência e reduzem os impactos psíquicos das emoções negativas.

O cinismo de quem sofre da síndrome de burnout pode mascarar vários pontos positivos que fazem parte de sua vida. “Sugiro, então, que comece a montar um portfólio para visualizar o que vai bem. Colecione bilhetes de agradecimento e outros detalhes do cotidiano que o fazem sentir apreciado e feliz e deixe-os em seu quadro de avisos ou em sua mesa de trabalho”, diz Paula. Quando estou em um dia daqueles, penso: “Por que mesmo eu parei de praticar o direito para ser consultora?”. “Nesses momentos, essas pequenas lembranças acalmam meu espírito para eu seguir em frente”, diz Paula.

Fique de olho em seu crítico interior

As suposições equivocadas que você faz e as narrativas autodestrutivas que constrói em sua mente, sobre por que algo aconteceu, podem diminuir seus níveis de felicidade e resiliência. Se perceber seu pensamento entrando nessa frequência, aperte o “pause” e considere outros fatores que podem estar levando-o a essa crença. Não tente julgar de cara se a crença faz ou não sentido. Primeiro, foque em identificar por que se sente assim, e quando. Então, use as duas estratégias a seguir para avaliar a qualidade do que estava pensando.

  1. Essa crença é um obstáculo a outras tarefas que estou tentando cumprir? Avalie se isso não o está impedindo de realizar o que quer no trabalho e em casa. Se sim, reformule o pensamento. Você pode até criar uma frase mental para usar toda vez que a crença invadir sua cabeça. “Por exemplo: se percebe que toda hora está com a ideia fixa de que precisa fazer tudo e fazer tudo perfeitamente, sua crença é o perfeccionismo”, afirma Paula. “Sua frase de efeito para combatê-la pode ser: ‘Bom o suficiente está bom para mim.’”
  2. Essa crença é rígida demais para ser eficaz? Talvez as crenças que seu crítico interior goste de promover não sejam erradas nem tóxicas. Elas podem ser apenas rígidas demais para funcionar na prática e o manterem resiliente. Em vez de se tornar mais flexível, tente distinguir as situações em que sua crença se aplica e aquelas em que não se aplica.

Se você está à beira de um surto ou apenas sentindo mais estresse do que o normal, usar essas dicas acima irão ajudá-lo a recuperar parte de sua energia, entusiasmo e confiança perdidos.

Fonte: Época Negócios

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